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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Órgãos dos Sentidos

ÓRGÃOS DOS SENTIDOS:

A capacidade que temos de distinguir diferentes estímulos que provêm do exterior, como luz, som, cheiro, gosto, percepções tácteis e de dor, decorre da existência, em nosso cérebro, de áreas específicas (centros nervosos do córtex cerebral) cujos neurônios são altamente especializados no sentido de transformar os impulsos nervosos (potenciais de ação) que a eles chegam em noção ou percepção de visão, de audição, de odor etc. Qualquer comprometimento de um desses centros pode afetar notavelmente a capacidade de percepção do sentido pelo qual ele responde. Para o correto processamento de qualquer dos sentidos, o organismo dispõe sempre de 03 categorias de estruturas particulares:
Estruturas receptoras
Estruturas condutoras
Estruturas transformadoras

As estruturas receptoras compreendem não só os chamados órgãos dos sentidos (olhos, ouvidos, nariz, língua e pele), que recebem os estímulos externos e mostram alto nível de especialização para transformar o estímulo num impulso nervoso ou potencial de ação que vá direto ao cérebro, mas também abrangem receptores sensoriais de dimensões microscópicas ou, pelo menos, muito pequenos, espalhados na superfície ou na profundidade dos músculos e das vísceras e que respondem pelos estímulos que se passam interiormente, no corpo. Assim, podemos distinguir, entre os receptores sensoriais, 03 tipos básicos:
A – Éxteroceptores – representados pelos órgãos dos sentidos, situados na periferia do corpo e que recebem estímulos externos. Compreendem os olhos, ouvidos, corpúsculos sensoriais do tato distribuidos na pele, corpúsculos do gosto situados nas papilas da língua e terminações nervosas do nervo olfativo na mucosa pituitária do nariz.

B – Ínteroceptores – representandos pelos nódulos carotídeos e aórticos, que percebem as variações de teor do dióxido de carbono e do oxigênio no sangue, controlando o ritmo respiratório e o ritmo cardíaco do indivíduo, pois atuam sobre o bulbo (o primeiro deles), estimulando o centro respiratório, e sobre o nódulo sino-atrial (o segundo deles), acelerando os batimentos cardíacos. Também as terminações nervosas ao nível das vísceras atuam como ínteroceptores, permitindo a sensibilidade profunda dos órgãos. É graças a esses interceptores que pode-se sentir uma dor de estômago, uma cólica uterina ou intestinal, a incomodidade de uma cistite, a dor de um espasmo de vesícula ou a provocada por um cálculo renal.

C – Próprioceptores – são receptores muito especiais situados no interior dos músculos estriados esqueléticos, que transmitem ao cérebro os estímulos indicativos do grau de concentração ou relaxamento muscular. Em função desses receptores, o indivíduo pode deduzir a altura a que elevou o pé ao subir um degrau, mesmo sem olhar para ele. Os distúrbios desses receptores ocasionam as ataxias locomotoras (a pessoa passa a andar arrastando os pés, sem tirá-los do chão e, ao subir ou descer uma escada, tem de olhar os degraus, um a um, para não cair).

As estruturas condutoras se fazem representar pelos nervos que conduzem o potencial de ação desde o órgão receptor até a área específica do cortex cerebral. Logo, a estrutura condutora do sentido da visão é o nervo óptico (um dos 12 pares de nervos cranianos) são as estruturas condutoras dos sentidos do olfato e da audição, respectivamente.

As estruturas transformadoras correspondem às áreas específicas para cada um dos sentidos, dentro do complexo mapeamento do córtex cerebral. O centro da visão, o centro da audição, o centro do olfato etc., são zonas que atuam como as estruturas transformadoras de impulsos nervosos em noção de visão, audição, olfato, respectivamente.

VISÃO:
O globo ocular é um órgão ligeiramente oval, com o seu maior diâmetro no sentido ântero-posterior. Mostra-se encaixado na arcada orbitária e preso a ela por seis músculos, cujas contrações e relaxamentos determinam os movimentos oculares. Esses músculos são comandados por dois pares de nervos cranianos. Portanto, os movimentos dos globos oculares nada têm a ver com o nervo óptico, que é simplesmente sensitivo.
O globo ocular é delimitado por 03 camadas sucessivas. De fora para dentro encontramos:
A – Esclerótica – camada mais externa do olho, formada de tecido conjuntivo fibroso com finalidade estrutural e de proteção. Tem cor branca e é popularmente conhecida como o “branco do olho”. Na parte anterior do globo, a esclerótica torna-se muito fina e delicada, a ponto de ficar transparente, constituindo a córnea.
B – Coróide – também formada por tecido conjuntivo, a coróide tem células muito pigmentadas, que respondem pela coloração dos olhos. É muito comum comparar-se o globo ocular a uma câmara, e nessa comparação, a coróide faz o papel da parede negra da câmara, que absorve o excesso de luz que possa entrar na máquina através do seu diafragma (correspondente à pupila do olho). Na porção anterior do globo, através da córnea, que é transparente, pode-se ver uma área circular da coróide, que nesse ponto é mais fina e recebe o nome de íris. No centro da íris há um orifício circular – a pupila – com capacidade de aumentar (midríase) ou diminuir (miose) seu diâmetro, graças ao trabalho de músculos lisos que se dispõem radialmente ou circularmente ao redor desse orifício e são controlados pelo sistema nervoso autônomo.
C – Retina – é o envoltório mais interno do globo ocular. Formada por tecido nervoso,ela se continua com o nervo óptico e se forma embrionariamente como uma expansão do cérebro. Revela, no fundo do olho, uma pequena depressão – a macula lútea (mancha amarela) – local onde devem projetar-se os raios luminosos para que o indivíduo possa efetivamente ver. Raios luminosos que se projetam na retina fora dessa área não são percebidos pela pessoa. O ponto mais sensível da macula lútea é o seu centro, denominado fóvea centralis. Na macula lútea encontram-se vários tipos de neurônios. Mas os mais importantes são os cones e os bastonetes, pois são fotossensíveis e desencadeiam o potencial de ação (impulso nervoso) que levará ao cérebro, através do nervo óptico, a mensagem que será finalmente interpretada como visão. Os cones são responsáveis pela visão das cores, enquanto os bastonetes não têm a capacidade de distinguir os diversos comprimentos de onda das radiações luminosas, por isso, só permitem a visão em preto e branco.



Nos bastonetes há um pigmento fotossensível chamado rodopsina ou púrpura retiniana, formado de uma associação entre o retinal, proveniente da vitamina A (chamada retinol) e uma proteína. A rodopsina é um pigmento de cor vermelho-púrpura que, em presença de luz, de dissocia (a proteína se separa do retinal) e muda de cor, ficando amarelado. Provavelmente, essa alteração se constitui numa reação exergônica, com a liberação de energia suficiente para estimular os bastonetes a desenvolverem o potencial de ação que irá ao cérebro. Embora não distingam as radiações luminosas, os bastonetes são mais sensíveis à luz do que os cones. Por isso, em ambiente de penumbra, com pouca luz, os cones não funcionam e, assim, o indivíduo vê as coisas apenas em preto e branco, à custa dos bastonetes.
Os cones também produzem um pigmento visual parecido com a rodopsina, porém com uma composição um pouco diferente pois, ainda que contenha também o retinal, é formado por uma estrutura protéica diversa. Sabe-se que existem três tipos diferentes de cone, cada um deles com pigmento próprio capaz de reagir especificamente às radiações luminosas de uma faixa de comprimento de onda própria. Dessa forma, compreende-se que cada um dos tipos de cone é sensível a uma das três radiações das chamadas cores primárias (vermelho, azul e verde). Se a retina recebe ao mesmo tempo duas ou três radiações básicas, serão estimulados dois ou três tipos de cone simultaneamente e a soma desses estímulos será processada no cérebro, convertendo-se na percepção das cores secundárias. A luz branca comporta a três radiações básicas (azul, verde e vermelho). Quando essa luz se reflete num objeto ou numa superfície, se todas as suas radiações sofrerem a reflexão e atingirem o olho de um observador, ele verá o objeto ou a superfície brancos. Se uma das radiações for absorvida, as que se refletirem e atingirem o olho da pessoa lhe darão uma das cores secundárias.
A luz penetra no olho, atravessa todos os seus segmentos e deve projetar-se na retina, precisamente na macula lútea. Nesse ponto, a luz atravessa toda a estrutura da retina e vai se refletir na camada pigmentada (última camada da retina e que a separa da coróide). Só então, ela irrita os cones e bastonetes, que desenvolvem um impulso nervoso (potencial de ação). Esse impulso passa, a seguir, às células bipolares e às células ganglionares, em sentido contrário ao inicial, como uma contra-mão, e daí prossegue pelas fibras do nervo óptico até o cerébro.
Para que a imagem se projete perfeitamente sobre a macula lutea há necessidade de que o cristalino, corpo em forma de lente biconvexa situado atrás da íris e da pupila, sofra uma constante acomodação, a fim de fazer com que a imagem das coisas se projete corretamente sobre a fóvea centralis da macula lútea. A acomodação do cristalino é proporcionada pelas contrações e relaxamentos dos músculos ciliares, que se dispõem na periferia desse corpo como um anel ao seu redor. A contração desses músculos determina uma espécie de compressão periférica da lente, que por isso mesmo, aumento o seu diâmetro ântero-posterior, tornando-se mais convergente. O relaxamento dos músculos ciliares permite, que a lente se expanda, aumentando o seu perímetro e diminuindo o seu diâmetro ântero-posterior. Assim o cristalino torna-se menos convergente.


Com essa acomodação, a pessoa pode visualizar coisas mais próximas ou mais distantes, projetando a imagem corretamente na retina. Agora, você pode compreender que, para ler, o indivíduo tem que contrair os músculos ciliares a fim de tornar o cristalino mais convergente, pois ele procura focalizar a imagem de um objeto muito próximo ao olho. É essa a razão da fadiga muscular que quando sucede a muitas horas de leitura, pode ocasionar cefaléia.
O espaço que fica entre o cristalino e o fundo do olho é preenchido por um material gelatinoso e transparente chamado humor vítreo.
O olho normal é denominado emétrope, em oposição ao olho míope e ao olho hipermétrope. Na miopia, anormalidade de fundo hereditário, o olho é muito convergente e a imagem se projeta antes da retina, sempre que o objeto se encontra muito afastado dele. Por isso, a pessoa míope tem o costume de aproximar muito as coisas dos olhos para vê-las. Há uma forma de miopia determinada por gene dominante, que condiciona o desenvolvimento de uma córnea muito abaulada o que faz o olho ficar muito convergente. Mas há outra forma de miopia, esta presidida por gene recessivo, que condiciona o desenvolvimento de um olho com o diâmetro ântero-posterior muito aumentado, de tal sorte que a imagem tende a cair sempre antes da retina. Em qualquer desses casos, a correção é feita com o uso de lentes divergentes. Hoje, a miopia é corrigida cirurgicamente. Na hipermetropia, também de cunho hereditário, o olho se apresenta pouco convergente, seja por pequena curvatura da córnea, seja pela deficiência do seu diâmetro ântero-posterior, e a imagem se projeta depois da retina, sempre que o objeto sem encontra próximo dele. A correção é feita com lentes convergentes. A vista cansada, também chamada presbitia ou presbiopia, se assemelha à hipermetropia, pois o indivíduo tem dificuldade de focalizar na retina a imagem de objetos próximos aos olhos. Por isso, ele os afasta para ver. Mas a presbiopia decorre de uma perda do poder de acomodação do cristalino, o que ocorre com a idade. No astigmatismo, ocorre uma curvatura irregular da córnea. Em função desse fato, a imagem se projeta distorcida e dupla na retina. A visão de um ponto se mostra como a visão de dois pontos quase acoplados (como uma sombra). Há lentes especiais, cilíndricas, usadas para a correção do astigmatismo. Também há tratamento cirúrgico.
O impulso nervoso que leva ao cérebro as impressões provocadas pelas radiações luminosas é rigorosamente processado ou analisado nos centros da visão e de associação de dados do córtex cerebral. Disso resulta a noção de visão e a interpretação da imagem dentro de uma certa lógica.





Anexos do olho:
Os anexos do olho compreendem as seguintes estruturas:
Pálpebras – são duas pregas de músculos, uma superior e outra inferior, situadas adiante das órbitas, cuja função é proteger o globo ocular. Sua borda livre apresenta duas ou três filas de cílios.
Cílios – são duas saliências arqueadas situadas sobre a borda das pálpebras e dotados de pêlos. Atuam na defesa do olho contra agentes estranhos.
Conjuntiva – é uma membrana mucosa que recobre a face interna dorsal das pálpebras e a face anterior do globo ocular. É uma camada muito vascularizada, dotada de uma importante rede linfática destinada a proteger o olho dos agentes físicos externos e das infecções.
Aparelho Lacrimal – é constituído pela glândula lacrimal, que secreta as lágrimas e pelas vias lacrimais. A função das lágrimas é facilitar o deslizamento das pálpebras sobre o globo ocular e umedecer a parte anterior deste, que está em contato com o ar.
Glândula Lacrimal – está situada na parte ântero-externa e superior da órbita.
Vias Lacrimais – compreendem os canais excretores da glândula e os canais do saco lacrimal, e têm como função distribuir e drenar as lágrimas.

AUDIÇÃO: A audição é o sentido que nos permite perceber os sons e os ruídos. Os sons decorrem de movimentos ondulatório do ar, regulares, homogêneos, dentro de certa frquência entre 16 e 20.000 hertz. O hertz (Hz) é a unidade de frequência que corresponde a 01 ciclo (01 movimento ondulatório) por segundo.
A porção receptora do nosso aparelho auditivo. Ele compreende três segmentos: o ouvido externo, o ouvido médio e o ouvido interno.
OUVIDO EXTERNO – Abrange o pavilhão da orelha e o canal auditivo externo. O pavilhão tem uma estrutura interna cartilaginosa, que lhe dá a conformação de uma concha com diversas ondulações. Destina-se a orientar os sons no sentido do canal auditivo externo. Este último, por sua vez, é um conduto curto, parcialmente revestido de mucosa e tendo o seu fundo fechado por uma membrana delicada e vibrátil chamada tímpano. A porção de mucosa que reveste uma parte desse canal segrega uma substância ceruminosa – o cerúmen – e é recoberta por pelos. Ambos retém as impurezas ou corpos estranhos que penetram nesse conduto.


OUVIDO MÉDIO – É, também, conhecido como caixa timpânica. Na realidade, é um pequeno compartimento aproximadamente cúbico, com 04 janelas: uma obliterada pelo tímpano, através da qual faz contato com o canal auditivo externo; outra, que dá acesso à trompa de Eustáquio, comunicando-se, por meio dela, com a faringe, e outras duas que comunicam essa câmara com o ouvido interno. O ouvido médio exibe uma pequena cadeia de 03 ossinhos: o martelo, a bigorna e o estribo, que, enfileirados, fazem a ligação entre o tímpano e a janela oval, que dá acesso ao ouvido interno. O som que penetra pelo canal auditivo externo vibra o tímpano e essa vibração se transmite pela cadeia de ossículos, transmitindo-se ao ouvido interno.
OUVIDO INTERNO – Tem uma estrutura maio ou menos complexa, o que lhe valeu o nome de labirinto. O labirinto compõe-se de duas partes fundamentais: o vestíbulo e a cóclea ou caracol. O vestíbulo é formado por uma dilatação chamada utrículo sobre a qual se instalam três canais semicirculares, dispostos entre si em ângulos retos. Todo o vestíbulo é oco, preenchido por um líquido – a endolinfa – e tem suas paredes internas revestidas por um epitélio ciliado. Na endolinfa mantém-se flutuantes numerosos microcristais de carbonato de cálcio denominados otolitos. Conforme a posição da cabeça do indivíduo ou os movimentos bruscos que ele realize, os otolitos roçam os cilios de uma região daquele epitélio. Esses cilios têm contato com filetes nervosos do nervo vestibular, os quais levam ao cérebro informações precisas quanto à localização dos otolitos. E aí, o processamento de dados no encéfalo conclui pela posição do corpo da pessoa. O vestíbulo tem importante papel na detecção da posição do indivíduo e, em conexão com o cerebelo, responde pelo equilibrio postural. A inflamação do labirinto impede a percepção da situação dos otolitos sobre o epitélio ciliado e tira ao cerebelo toda condição de avaliar a posição do indivíduo. Isso caracteriza a labirintite, doença que provoca tonturas intensas, causando perda de equilibrio ao doente. A cóclea é um canal enrolado em espiral que se implanta sobre uma pequena dilatação chamado sáculo. O interior desse canal é dividido em 03 andares: a rampa ascendente, a rampa descendente e a rampa intermediária. O som que chegou ao ouvido médio e alcançou o ouvido interno penetra pela rampa ascendente, vai até o final do túnel e retorna pela rampa descendente, voltando ao ouvido médio, de onde sai para se perder pela trompa de Eustáquio. Mas, durante esse trajeto, as vibrações se transmitem à rampa média, onde se encontram os órgãos de Corti. Eles são as estruturas responsáveis pela percepção dos sons e ruídos. Nos órgãos de Corti encontramos uma membrana fina e vibrátil – a membrana tectória. O movimento ondulatório do som vibra essa membrana e ela, por sua vez, toca um epitélio ciliado que lhe fica lobo abaixo. As células ciliadas estão em contato com as fibras do nervo coclear. Essas fibras levarão ao centro da audição, no córtex cerebral, um potencial de ação que será processado e interpretado como um som. As fibras do nervo coclear se juntam com as fibras do nervo vestibular (vindas do vestíbulo) e formam, em conjunto, o nervo acústico. Este, ao chegar ao encéfalo, tem novamente separadas as suas fibras. As que provém do nervo vestibular vão terminar no cerebelo, as que provém do nervo coclear vão em direção ao centro da audição, no cérebro.





OLFATO: O olfato é o sentido que nos permite perceber e distinguir os mais variados cheiros que ocorrem na natureza. Seu órgão receptor é o nariz, ou, mais precisamente, a mucosa pituitária olfativa, que reveste as partes mais profundas das fossas nasais. Na mucosa pituitária se localizam células nervosas, dispostas entre as células epiteliais desse tecido. As células nervosas têm os seus dendritos terminando em botões que agem como quimiorreceptores. Moléculas ou partículas adoríficas provenientes do meio ambiente tocam esses botões e assim procedem como fonte de estímulo para o aparecimento de uma resposta, um impulso nervoso, representado por um potencial de ação. Esse potencial de ação é conduzido pelo nervo olfativo ao centro do olfato, no córtex cerebral, onde ele é processado e interpretado como a percepção de um cheiro. Para que a partícula odorífica impressione os botões olfativos da mucosa pituitária é necessário que haja umidade nesta última, pois parace haver uma reação química entre alguma substância própria da estrutura receptora e o agente estimulante. Em 1.960, John Amoore, da Universidade de Oxford (Inglatera), lançou a hipótese de que os botões sensitivos do nervo olfativo, na mucosa pituitária, teriam conformações especiais (quimiorreceptores dendríticos) onde se encaixariam perfeitamente as partículas odoríficas. Estas, por sua vez, de distribuiriam, quanto às suas formas, em sete tipos fundamentais, correspondentes a sete odores básicos: cânfora, almiscar, floral, menta, éter, penetrante e putrefato. A maioria das substâncias, segundo Amoore, eliminaria mais de um desses tipos básicos de partículas odoríficas. A combinação dos tipos com devidos percentuais atuando sobre os terminais sensitivos do nervo olfativo determinaria uma análise combinatória capaz de justificar o incontável número de odores distintos que conhecemos.

PALADAR: A percepção do paladar também decorre de um processo de reação química entre partículas provenientes do meio externo e quimiorreceptores localizados na superfície das papilas gustativas, na língua. Então olfato e paladar têm algo em comum: o estímulo se processa por meio químico, daí se desencadeando um impulso nervoso, que vai a uma região específica do córtex cerebral para ser interpretado como “sensação de gosto”. A língua é um órgão musculoso, situado na base da cavidade bucal. Tem uma forma cônica. Além da sua função gustativa participa na deglutição e na articulação das palavras. Nela podemos distinguir uma proção faríngea e outra oral. É constituída por um esqueleto osteofibroso e músculos. É oportuno lembrar, entretanto, que as papilas linguais se dividem em dois grupos elementares: as papilas gustativas e as papilas táteis. Estas últimas não percebem o gosto das coisas, são filiformes e contém, na sua estrutura, filetes nervosos que lhe dão a capacidade de detectar a presença de um finíssimo fio de seda sobre a língua. Já as papilas gustativas, que podem ser caliciformes (em forma de cálice), fungiformes (em forma de cogumelo de chapéu) ou filiformes (em forma de fios), possuem na sua superfície os botões gustativos ou corpúsculos do gosto, formados por células nervosas cujas ramificações se continuam ao longo do nervo glossofaríngeo (9º. par craniano), que é nervo condutor dos estímulos do gosto ao centro do paladar no córtex cerebral.

As papilas caliciformes são grandes e se mostram na parte posterior da língua, formando um V aberto para a frente e o vértice voltado para a garganta. Essas papilas são altamente sensíveis ao sabor amargo. As papilas fungiformes se distribuem por outros setores da língua, e conforme a natureza dos botões gustativos que possuem, são mais sensíveis ao sabor doce, ou ao sabor salgado, ou ao sabor ácido (azedo). Na verdade, a conclusão final do gosto de um alimento, de uma bebida ou de uma guloseima qualquer depende da associação de dados fornecidos ao cérebro não só pelas papilas gustativas, mas também pelas papilas táteis e até mesmo pela mucosa pituitária. Afinal, é de uma complexa análise combinatória entre os quatro sabores básicos (amargo, doce, salgado e azedo) e mais a consistência (sólida, pastosa, líquida, espumante, gelatinosa, crocante etc) a temperatura (gelado, frio, morno, quente) e o cheiro do material ingerido que resulta o reconhecimento de um determinado sabor.

TATO: O tato pode ser entendido não só como a percepção do leve roçar de algo suave sobre a pele como, também, as percepções de dor, calor, frio e pressão sobre qualquer ponto da superfície corporal, por ação de um estímulo esterno. Para tanto, a pele é dotada de dois tipos de estruturas sensoriais: as terminações nervosas livres e os corpúsculos do tato. As terminações nervosas livres compreendem os terminais dendríticos de neurônios que transmitem ao cérebro (ao centro da dor do córtex) os estímulos dolorosos como picadas de agulha ou de insetos, cortes, queimaduras, beliscões, tapas etc. Os corpúsculos do tato abrangem quatro variedades, todas com estrutura neuroepitelial, porém com dimensões, localizações e especializações funcionais diversas: Corpúsculos de Meissner – Distinguem-se o tato propriamente dito (contato suave de algo com a pele). Corpúsculos de Pacini – Percebem a pressão profunda. Enquanto os corpúsculos de Meissner são muito pequenos, medindo cerca de 0,1 mm e superficiais, os corpúsculos de Pacini são grandes, com quase 04 mm e se situam profundamente na pele. Têm muita utilidade para os cegos na leitura braile. Corpúsculos de Krause – Reconhecem as sensações de frio. Corpúsculos de Ruffini – Distinguem as variações de calor. Os corpúsculos de Krause e de Ruffini são os menores entre todos os corpúsculos do tato, pois medem de 0,03 mm. São também superficiais.