quinta-feira, 4 de março de 2010

Deslizamentos


Deslizamentos

Os deslizamentos podem acontecer de diferentes formas, sendo as mais frequentes a queda de parte da cobertura dos morros e montanhas, ou a queda de neve acumulada no alto das montanhas muito elevadas. Esta última apresentação é conhecida pelo nome de Avalanche.

Tanto em um como em outro caso, o fator primário para sua ocorrência é a água, seja em forma líquida, seja em forma sólida (neve). O acúmulo de água nas camadas externas de morros desmatados e montanhas que tenham perdido extensões substanciais de sua capa florestal, podem perceber este fenômeno.

O povoamento de maneira desorganizada e a edificação de moradias sem estrutura suficiente, ou mesmo as moradias mais bem preparadas mas que tenham comprometido a encosta das montanhas ou dos morros, podem observar a ação deste fenômeno quando uma atividade pluviométrica elevada, incidir sobre a localidade fragilizando ainda mais a camada externa da montanha.

Em geral, sua razão está associada ao acúmulo de água pelo solo que procura absorver seu volume. Entretanto, pela ausência de vegetação, esta água não é direcionada para as camadas inferiores da superfície terrestre, sendo então promovido o desenvolvimento de uma lama espessa (associação de água e terra da superfície), que pelo seu volume e densidade acabam descendo pela gravitação, despencando pela montanha e arrastando consigo não apenas uma parte significativa do solo erodido, mas também tudo o que estiver em sua frente, como moradias, árvores, pessoas e animais.

Outro fator que contribui sistematicamente com este fenômeno, é a Enxurrada, que ao perceber volume considerável no alto das montanhas, acaba descendo pela montanha trazendo consigo parte significativa da sua capa, promovendo a erosão do solo.

Em particular, o fenômeno das erupções vulcânicas permitiu que o Monte Etna na Itália, desenvolvesse uma camada espessa de fuligem à partir de sua extremidade superior. Quando está no solstício de inverno, esta montanha concentra valor expressivo de neve no cume da montanha. Esta neve será potencialmente destrutiva para grande parte da cidade de Santa Venerina ao Sudeste do vulcão, porque mesmo sem a atividade sísmica, a grande quantidade de fuligem das erupções vulcânicas de 1992 e 2002, acabaram causando a formação de uma grossa camada que desce em quantidade substancial das montanhas com o degelo de parte da neve das montanhas, causando o soterramento parcial da cidade italiana. É portanto uma forma diferenciada de deslizamento, mas que contém um fator que contribui, a fuligem vulcânica que se associa ao derretimento de parte da neve da montanha. Este derretimento tanto pode ocorrer nesta região com o aquecimento no solstício de verão, quanto com o aquecimento do cume do cone vulcânico, mas se agrava ainda mais com a ação pluviométrica substancial nesta localidade.

Para as cidades brasileiras, as formas de deslizamento sempre estão associadas à má distribuição e falta de estrutura no povoamento das encostas. Uma das medidas mais comuns e que mais são adotadas pelas entidades governamentais e defesas civis estaduais, como a Defesa Civil de São Paulo, está na quebra da encosta formando camadas, como em degraus que objetivam a descida intercalada das águas fluviais e têm sido as melhores formas de contenção e maneira mais efetiva de proteger contra os desmoronamentos, tanto em rodovias e estradas viscinais, como em áreas urbanas.

Neste sentido, a Defesa Civil do Estado de São Paulo, durante a administração dos governos Mário Covas e Geraldo Alkimin, têm obtido resultados bastante positivos com a prevenção contra enchentes, desmoronamentos e queda de barreiras, servindo de exemplo para outras defesas civis estaduais que têm adquirido parte dos trabalhos e técnicas de prevenção durante seminários e simpósios realizados no Palácio dos Bandeirantes na cidade de São Paulo nos anos de 2002 e 2003.

Como medidas preventivas que devam ser tomadas, deve ser ressaltado o trabalho nos períodos que antecedem as maiores atividades pluviométricas. Neste sentido, cada Estado possui uma particularidade que deve ser observada para a melhor e mais correta aplicação de recursos contra suas conseqüências mais diretas, em que se ensejam o deslizamento de encostas.

As regiões mais frias devem tomar medidas preventivas contra as avalanches, outra forma de deslizamento pelo acúmulo de neve nas montanhas. A falta de medidas preventivas nestas regiões como os Alpes suíços, Bariloche na Argentina, Himalaia na Índia, etc, podem causar muitos acidentes quando da incursão dos esportistas e praticantes de esqui, pois o simples contato com a neve de áreas propensas à uma avalanche, pode desencadear o fenômeno. Em alguns casos, o simples barulho, seja por um grito de comunicação, seja por um tiro disparado por um sinalizador, podem causar o desprendimento de uma camada do alto das montanhas que se precipita contra a encosta e promove o deslizamento de uma camada da neve que cobre a montanha.

No início, não é preciso muito mais do que um metro cúbico de neve, pois o peso deste volume irá promover o desprendimento de parte da neve, principalmente a que têm formação mais recente e que ainda não se solidificou nas montanhas. Uma neve nas montanhas é formada pelo acúmulo desenvolvido pelas nevascas de inverno. Este volume irá se solidificar lentamente na montanha, sendo agrupado mais e mais à cada ano que passa, formando uma camada grossa de gelo mais compactado pelo volume das camadas que lhe forem superpostas.

Quando uma camada expressiva vier a ser formada no alto de uma montanha e ela não estiver suficientemente solidificada, estará então mais propensa aos efeitos iniciais de uma avalanche, tanto pelo peso de seu volume, quanto pelo fato de não estar muito bem firmada na encosta. Quando esta camada estiver mais solidificada, porém nas partes menos elevadas da mesma montanha, ela estará sujeita à ação do volume que se desprende e desliza do topo, pois virá em velocidade, força e volume expressivos, capazes de fazer com que camadas mais sólidas sejam removidas, agrupando a neve que se desprendeu, junto à neve mais sólida nas bases inferiores da montanha.

Observe os códigos utilizados pelas equipes de resgate para as diferentes apresentações deste fenômeno:

X36.0 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - residência

X36.1 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - habitação coletiva

X36.2 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - escolas, outras instituições e áreas de administração pública

X36.3 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - área para a prática de esportes e atletismo

X36.4 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - rua e estrada

X36.5 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - áreas de comércio e de serviços

X36.6 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - áreas industriais e em construção

X36.7 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - fazenda

X36.8 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - outros locais especificados

X36.9 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre - local não especificado

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